Qual é o seu grupo?
Abra o endereço do seu grupo. Guarde este link: é nele que o caderno de vocês fica salvo.
Como funciona o trabalho de hoje
Cada grupo fica com um paciente. O episódio chega em três camadas: como a pessoa conta, a sessão em que o terapeuta puxa a cadeia, e a análise de soluções seguida do missing link, três semanas depois. Cada camada abre com uma frase que o professor manda no chat da sala.
Uma pessoa por sala compartilha a tela do caderno e digita. As outras leem a camada na própria tela e ditam. Em cada rodada, definam quem apresenta no retorno.
O caderno fica guardado no navegador de quem digita. Salvem o PDF ao fim de cada rodada, não só no fim.
| 10h00 | Abertura, combinados, link do caderno | plenária · 10 min |
| 10h10 | Camada 1 e rodada 1 · o que a pessoa fez, e a primeira pergunta | salas · 15 min |
| 10h25 | Retorno: três comportamentos definidos, três primeiras perguntas | plenária · 10 min |
| 10h35 | Camada 2 e rodada 2 · a cadeia nas posições, e a condução | salas · 25 min |
| 11h00 | Retorno: um desenho por grupo, e o que o terapeuta fez | plenária · 15 min |
| 11h15 | Camada 3 e rodada 3 · o missing link | salas · 15 min |
| 11h30 | Retorno: onde cada cadeia travou | plenária · 15 min |
| 11h45 | Síntese e fechamento: erros comuns | plenária · 15 min |
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Estudante de enfermagem no último ano, estágio no hospital de manhã. Mora com o namorado, Caio, há um ano e meio. Está em DBT há dois meses: sessão individual semanal e grupo de habilidades, no módulo de tolerância ao mal-estar. Alvo número 1 da hierarquia: cortes superficiais no antebraço. Estava há sete semanas sem se cortar.
Terça: dormiu 4 horas (estudou até as 3h para a prova de farmacologia). Urgência de se cortar 1. Quarta: pulou o almoço (o estágio atrasou). Urgência 5. Cortou: sim. Emoções mais fortes: vergonha 4, raiva 4, medo 4. Habilidades: marcou "pensei em usar, não usei". Quinta: urgência 2. Faltou ao grupo de habilidades.
"Foi quarta. O Caio me deixou no vácuo o dia inteiro. Eu mandei mensagem, ele viu e não respondeu. Fiquei muito mal, mandei mais umas, aí ele respondeu que depois a gente conversava. Aí eu surtei e me cortei. Depois ele chegou em casa preocupado, a gente conversou, ficou tudo bem. Não foi grande coisa, foi superficial. Eu sei que não devia. Eu tô aqui pra isso, né."
Os episódios anteriores aconteceram à noite, em casa, sozinha, quase sempre depois de algum sinal de distanciamento de alguém próximo. Nos dois últimos, Caio saiu mais cedo do trabalho para ir para casa. Bruna tem a habilidade de água gelada treinada no grupo, e o telefone da terapeuta para coaching entre sessões.
Esta rodada abre junto com a camada 1.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Sessão individual, primeiros vinte minutos. A terapeuta abriu o cartão diário e foi direto ao alvo 1.
Para cada item, o terapeuta fez isso nesta camada? Respondam sim ou não. A resposta e o trecho aparecem assim que vocês marcarem.
Esta rodada abre junto com a camada 2.
Cinco posições. Em cima de cada uma está a pergunta que o terapeuta faz. Uma coisa por linha. O desenho monta sozinho embaixo, e os números dos elos são os que a rodada 3 vai usar.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Mesma sessão, minutos finais. A cadeia está desenhada no papel entre as duas.
Três semanas depois. No cartão diário, domingo: urgência 5, cortou: sim (um corte). Habilidades: "pensei em usar, não usei". O plano das duas habilidades estava combinado e escrito.
Para cada item, o terapeuta fez isso nesta camada? Respondam sim ou não. A resposta e o trecho aparecem assim que vocês marcarem.
Esta rodada abre junto com a camada 3.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Técnico de manutenção numa fábrica, escala de segunda a sábado. Separado há dois anos, tem uma filha de sete, a Lívia, que dorme na casa dele a cada duas semanas. Está em DBT há três meses, encaminhado depois de dois episódios de quebrar coisas em casa. Alvos na hierarquia: beber até apagar (alvo de qualidade de vida, o que mais aparece no cartão) e explosões de raiva. Estava há cinco semanas sem beber.
Quinta: discussão por telefone com a ex sobre a pensão. Raiva 4. Dor nas costas 3, não foi à academia pelo terceiro dia. Sexta: urgência de beber 5. Bebeu: sim. Raiva 5, vergonha 4. Habilidades: "pensei em usar, não usei". Sábado: faltou ao trabalho. Vergonha 5.
"Sexta a Fernanda me ligou dizendo que a Lívia não ia dormir lá em casa esse fim de semana. Eu fiquei puto. A gente discutiu, ela desligou na minha cara. Aí eu bebi. No sábado eu não consegui levantar, perdi o dia. Foi só isso. Eu tava indo bem, foi um dia ruim."
Os episódios de bebida acontecem sempre em casa, sozinho, à noite, e quase sempre depois de alguma notícia sobre a filha. A Fernanda usa os episódios como argumento para reduzir as visitas. Rafael tem o STOP e o exercício intenso do TIP treinados no grupo, e o telefone do terapeuta.
Esta rodada abre junto com a camada 1.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Sessão individual, primeiros vinte minutos. O terapeuta abriu o cartão diário e foi ao alvo que apareceu.
Para cada item, o terapeuta fez isso nesta camada? Respondam sim ou não. A resposta e o trecho aparecem assim que vocês marcarem.
Esta rodada abre junto com a camada 2.
Cinco posições. Em cima de cada uma está a pergunta que o terapeuta faz. Uma coisa por linha. O desenho monta sozinho embaixo, e os números dos elos são os que a rodada 3 vai usar.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Mesma sessão, parte final. A cadeia está no papel.
Três semanas depois. No cartão diário, sexta: urgência de beber 5, bebeu: sim, quatro latas. Habilidades: "pensei em usar, não usei".
Para cada item, o terapeuta fez isso nesta camada? Respondam sim ou não. A resposta e o trecho aparecem assim que vocês marcarem.
Esta rodada abre junto com a camada 3.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Analista de marketing numa agência, home office três dias por semana. Mora sozinha. Está em DBT há quatro meses, encaminhada por episódios de compulsão alimentar e por uma história de abandonar tratamentos no meio. Alvos na hierarquia: compulsão alimentar e, como comportamento que interfere na terapia, faltar sem avisar e não fazer as tarefas de casa. É a terceira falta em quatro meses.
Segunda: cólica 4, dormiu mal. Discussão com a irmã por mensagem. Terça: sessão marcada às 15h. Não foi. Ansiedade 5, vergonha 5. Tarefa de casa da semana (registro de uma ação oposta): não fez. Quarta e quinta: não respondeu às mensagens da terapeuta.
"Desculpa. Terça foi um caos no trabalho, minha chefe me pediu um relatório pra entregar no mesmo dia e eu não tinha como sair. Eu ia avisar, mas aí a tarde passou. Depois eu fiquei com vergonha de responder tuas mensagens. Não é nada contigo, é que eu travei."
As duas faltas anteriores aconteceram em semanas em que ela não tinha feito a tarefa de casa. Nas duas ela também demorou dias para responder. Camila tem o DEAR MAN treinado no grupo e o combinado de avisar por mensagem com qualquer antecedência.
Esta rodada abre junto com a camada 1.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Sessão seguinte, primeiros vinte minutos. A terapeuta trouxe a falta como primeiro assunto, porque é alvo 2 da hierarquia.
Para cada item, o terapeuta fez isso nesta camada? Respondam sim ou não. A resposta e o trecho aparecem assim que vocês marcarem.
Esta rodada abre junto com a camada 2.
Cinco posições. Em cima de cada uma está a pergunta que o terapeuta faz. Uma coisa por linha. O desenho monta sozinho embaixo, e os números dos elos são os que a rodada 3 vai usar.
Esta camada abre com a frase que o professor mandar no chat da sala.
Mesma sessão, parte final. A cadeia está no papel, com a tarefa não feita como elo.
Três semanas depois. No cartão diário, terça: sessão às 15h, não foi. Mandou mensagem às 17h: "desculpa, não consegui". Tarefa de casa: não fez.
Para cada item, o terapeuta fez isso nesta camada? Respondam sim ou não. A resposta e o trecho aparecem assim que vocês marcarem.
Esta rodada abre junto com a camada 3.
Terminaram uma rodada?
Baixe o caderno como está agora, com o desenho da cadeia, o nome do grupo e a data.
Síntese
Aqui fica a cadeia do professor, posição a posição, lado a lado com a de vocês, mais as soluções, o missing link e o que foi plantado na condução do terapeuta.
Ela abre quando o caderno estiver completo e o professor mandar a frase.
A cadeia, posição a posição
À esquerda a cadeia de vocês, à direita a minha. Onde as duas divergem é o que vale discutir. Não é gabarito de prova: cadeia não tem uma resposta só, mas tem elos que não podem faltar.
quarta: sem almoço, o estágio atrasou
pensamento: "ele tá cansado de mim, tá me evitando"
emoção: medo, 3 subindo
ação: manda três mensagens em sequência
evento: 18h10, ele responde "depois a gente conversa, tô em reunião"
pensamento: "acabou, ele vai terminar comigo"
sensação: aperto no peito, calor no rosto, mão tremendo
emoção: vergonha e raiva, 5
ação: chora e anda pela casa por uns quinze minutos
ação: vai ao banheiro, tranca a porta, pega a lâmina
pensamento: "só pra parar"
curto: ela manda "tô mal", Caio liga em cinco minutos, sai da reunião e chega às 19h15 (o distanciamento que iniciou a cadeia desaparece)
curto: Caio abraça, faz o jantar, fica atento a noite toda (reforço positivo, feito por ele)
longo: vergonha na manhã seguinte, manga comprida no estágio com trinta graus
longo: falta ao grupo de habilidades na quinta, para não mostrar o braço
longo: na sexta, Caio diz que não aguenta mais ficar com medo. Isso alimenta a vulnerabilidade da próxima cadeia
A cadeia como eu desenhei
O missing link
elo 10: ligar para a terapeuta · lembrança · "nem lembrei, o cartão tava na bolsa"
Dois obstáculos de tipos diferentes, dois trabalhos diferentes. Para a ligação, o problema é de pista: a ideia não apareceu no lugar em que precisava aparecer. Solução de ambiente, cartão na porta do banheiro, e ensaio. Para a água gelada, o problema é de disposição: a ideia apareceu, ela olhou para a cozinha e escolheu não ir. Isso pede trabalho de compromisso, prós e contras de novo com o "eu quero que doa" na mesa, e provavelmente uma análise em cadeia do próprio "querer que doa", que é a função do corte aparecendo em forma de vontade.
Onde as habilidades entrariam
Só para vocês guardarem. As habilidades vêm nas aulas 9, 10 e 11.
vulnerabilidade: PLEASE, regulação emocional
elo 2: checar os fatos, regulação emocional
elo 1 e elo 3: STOP, tolerância ao mal-estar
elo 4: adiar a mensagem, escrever e não mandar
elo 7: água gelada (TIP), tolerância ao mal-estar
elo 9: prós e contras, tolerância ao mal-estar
elo 10: ligar para a terapeuta antes de entrar no banheiro
As duas que ela escolheu: água gelada quando o peito apertar (elo 7) e ligar antes de ir ao banheiro (elo 10). Critério certo: o que ela já treinou e o que ela mesma disse que faria. O "na hora eu não quero ajuda", anotado no fim, é o que vai aparecer três semanas depois.
A lupa na condução
Como eu diria: Quando tu entrou no banheiro, tu já ia se cortar? O que tu fez primeiro: trancou a porta, pegou a lâmina? E entre pegar a lâmina e cortar, passou alguma coisa pela tua cabeça?
O que eu marcaria: definiu o comportamento-problema do jeito que dá para filmar, antes de puxar a cadeia · colocou hora no precipitante, em vez de aceitar "o dia inteiro" · abriu o resumo ("surtei", "fiquei puto") em pensamento, emoção, sensação e ação · perguntou o que os outros fizeram depois, e o que veio nos dias seguintes · aceitou um resumo e seguiu em frente, sem abrir o que tinha dentro · esquentou justamente no comportamento-problema: validou, tranquilizou, se demorou ali · perguntou "por quê", ou cobrou, e recebeu "não sei" · deu solução ou sermão antes de fechar a cadeia
Trechos: Aí eu fui no banheiro e me cortei. / Nossa. Deve ter sido muito difícil. / Por que tu não me ligou?
Como eu diria: A gente tinha um plano de duas habilidades. Vamos olhar uma de cada vez. A água gelada: naquela hora, tu sabia que era isso que precisava fazer?
O que eu marcaria: fez as quatro perguntas na ordem: sabia? estava disposto? a ideia passou pela cabeça? o que ficou no caminho? · uma habilidade de cada vez, e separou obstáculos de tipos diferentes · perguntou "por que tu não fez?" e recebeu "não sei"
Trechos: Por que tu não fez? / Não sei. / Deixa eu perguntar de outro jeito, uma coisa de cada vez.
O que foi plantado na condução
Bons e ruins, de propósito. Confiram com o que vocês marcaram em cada camada.
"Me diz exatamente o que tu fez: onde, com o quê, quantos cortes, que horas." A cadeia só pode ser percorrida se o ponto de chegada estiver definido em termos que outra pessoa conseguiria filmar. "Me cortei" não é um comportamento-problema; "dois cortes no antebraço esquerdo, com lâmina, no banheiro trancado, às 18h30" é.
"O dia inteiro é longo. Qual foi o momento em que a coisa virou?" O precipitante precisa de hora. Sem isso, a cadeia começa num estado geral e a análise perde o ponto de entrada.
"Surtei é o quê, exatamente?" Toda vez que a paciente resume um trecho com uma palavra, tem cadeia escondida ali. Aqui saíram quinze minutos de choro e andar pela casa, que é justamente o trecho em que a água gelada caberia.
"Aí eu fui no banheiro e me cortei." A terapeuta segue em frente. Entre entrar no banheiro e cortar tem pelo menos três coisas: trancar a porta, abrir a gaveta, pegar a lâmina, e o pensamento "só pra parar" que só apareceu depois, por acaso. Esse é o último ponto de saída da cadeia, e foi o elo mais importante para deixar em branco. No lugar: "quando tu entrou no banheiro, tu já ia se cortar? O que tu fez primeiro?"
"Nossa. Deve ter sido muito difícil. Me conta com calma como foi, como tu tava te sentindo na hora do corte, o que tu pensou enquanto cortava." Calor, lentidão e interesse justamente no comportamento-problema. Em DBT o corte se pergunta em tom de inventário, e o calor vai para os elos anteriores e para o esforço de mudar. Se a atenção mais atenta da sessão vem quando ela fala do corte, a sessão reforça o que quer reduzir. No lugar: mesmo tom da pergunta sobre a lâmina, e as perguntas de pensamento e sensação já tinham sido feitas nos elos anteriores.
"Por que tu não me ligou? A gente tinha combinado." Três problemas numa frase: é solução no meio da cadeia, é "por quê", que devolve "não sei", e carrega cobrança. A pergunta é boa, e o lugar dela é a análise de missing link, feita com as quatro perguntas na ordem, depois de fechar a cadeia.
Depois dos dois minutos de calma, a terapeuta pergunta o que ela fez, o que o Caio fez, o que aconteceu no dia seguinte e na sexta. Sai o reforço negativo (alívio), o reforço positivo feito por outra pessoa (Caio chega, abraça, cozinha) e os custos de longo prazo (vergonha, manga comprida, grupo perdido, medo de novo). Sem a pergunta pelo Caio, a análise perderia a consequência que mais mantém o comportamento.
"Deixa eu voltar para antes de tudo isso." A vulnerabilidade é perguntada depois que a cadeia está inteira, e a paciente responde "não tinha pensado nisso". Perguntar no começo produz uma lista genérica; perguntar no fim, com a cadeia à vista, produz o dado que estava no cartão diário e não na fala dela.
Depois de duas trocas em que a paciente propõe (PLEASE, checar os fatos), a terapeuta entrega uma lista de sete habilidades num único turno, e a paciente responde "tá". Análise de soluções com a paciente passiva produz um plano que é da terapeuta. No lugar: uma habilidade por vez, perguntando antes de oferecer.
"Quais tu acha que tu faria de verdade, numa quarta às seis da tarde, sozinha em casa?" Recupera o erro anterior. O critério não é a melhor habilidade e sim a que ela já treinou e diz que faria. Sobram duas.
Onde vai fazer, em que ponto da cadeia, o que pode atrapalhar. A resposta "na hora eu não quero ajuda" é o dado mais valioso da sessão, e a terapeuta anota em vez de discutir.
"Por que tu não fez?" produz "não sei", como toda pergunta de por quê sobre um comportamento que não aconteceu. O missing link existe justamente para substituir essa pergunta por quatro que a paciente consegue responder.
Sabia o que precisava fazer? Estava disposta? A ideia chegou a passar pela cabeça? O que ficou no caminho naquele momento? Feitas para a água gelada e depois para a ligação, separadas. Se tivesse perguntado pelas duas juntas, o obstáculo de disposição de uma se misturaria com o obstáculo de lembrança da outra.
O cartão vai para a porta do banheiro, que é solução de ambiente para um problema de pista. O "eu quero que doa" vai para a sessão, que é problema de disposição e pede trabalho de compromisso e nova cadeia. Tratar os dois com o mesmo remédio seria o erro mais comum aqui.
Erros comuns em análises em cadeia
"Me cortei", "bebi", "faltei". Se não dá para filmar, não dá para analisar. Definir o quê, onde, quando, com o quê, quanto, antes de puxar a cadeia.
"O dia inteiro", "foi um caos". O precipitante é um evento do ambiente com hora. Sem ele, a cadeia começa num estado e não num acontecimento.
"Aí eu surtei", "fiquei puto", "travei". Toda palavra-resumo esconde pensamento, emoção, sensação e ação em sequência. Abrir sempre.
O alívio depois do comportamento não é o último elo, é a consequência. E a consequência não é o fim da cadeia, é o que a fecha e a mantém.
Ou a lista genérica de tudo o que a pessoa tem de ruim na vida, ou nada. A vulnerabilidade daquele dia está no cartão diário: sono, comida, dor, o que aconteceu na véspera, a tarefa não feita.
A consequência que mais mantém o comportamento é quase sempre feita por outra pessoa. Se a cadeia termina no paciente, falta metade.
Interesse, lentidão, validação ou tranquilização justamente no comportamento-problema. O tom no alvo é de inventário; o calor vai para os elos anteriores e para o esforço.
"Por que tu não...", "isso não resolve...". Toda solução ou julgamento antes de fechar a cadeia corta a análise e vira cobrança. As soluções têm lugar próprio, depois.
A pergunta que produz "não sei". O missing link existe para trocá-la por quatro que o paciente consegue responder: sabia, estava disposto, a ideia passou pela cabeça, o que ficou no caminho.
Não saber, não estar disposto, não lembrar e algo no caminho pedem trabalhos diferentes: ensinar, compromisso, pista no ambiente, resolver o obstáculo. Tratar tudo como falta de motivação é o erro mais comum.
A cadeia, posição a posição
À esquerda a cadeia de vocês, à direita a minha. Onde as duas divergem é o que vale discutir. Não é gabarito de prova: cadeia não tem uma resposta só, mas tem elos que não podem faltar.
três dias sem academia, dor nas costas
sensação: rosto e pescoço quentes, mão fechada
emoção: raiva, 4
ação: chama a ex de egoísta, grita
evento: ela desliga
pensamento: "eu sou um pai de merda mesmo, ela tem razão"
emoção: vergonha, um peso
pensamento: "só hoje"
ação: pega a chave do carro, vai ao mercado, compra o fardo e a vodca
longo: acorda às 11h de sábado, falta ao trabalho, advertência na segunda
longo: a filha liga e o percebe grogue
longo: a ex fica sabendo e usa o episódio como argumento para a próxima visita, o que alimenta o precipitante da próxima cadeia
longo: vergonha 5 no sábado
A cadeia como eu desenhei
O missing link
elo 7: mensagem para o terapeuta · obstáculo · "o celular tava sem bateria e eu não levantei"
Dois obstáculos diferentes. A escada falhou por saber: ele reconhecia a habilidade, mas a pista que ele tinha era raiva, e a cadeia dessa vez passou por tristeza e ficar quieto. A solução é trocar a pista: o "só hoje" é o sinal, em qualquer emoção. A mensagem falhou por um obstáculo prático: sabia, estava disposto, a ideia veio, e o celular estava sem bateria do outro lado da sala. Carregador ao lado do sofá. Repare que ele usou a primeira habilidade (não ligou, não gritou) e a cadeia mudou de forma: a raiva virou tristeza e o comportamento-problema veio do mesmo jeito. Isso vale um comentário no fechamento.
Onde as habilidades entrariam
Só para vocês guardarem. As habilidades vêm nas aulas 9, 10 e 11.
vulnerabilidade: PLEASE, voltar a se mexer mesmo com dor
elo 1: checar os fatos, regulação emocional
elo 2: STOP, desligar ele antes de gritar
elo 6 e elo 7: ação oposta à vergonha, ligar para a filha ou mandar mensagem para o terapeuta
elo 8: escada (TIP), exercício intenso, tolerância ao mal-estar
As três que ele escolheu: a escada quando pensar "só hoje", desligar quando o pescoço esquentar, e mandar mensagem se a vergonha vier. Ele mesmo antecipou o problema da escada (fácil de esquecer) e disse que a mensagem "vai". Três semanas depois, a que falhou por obstáculo prático foi justamente a mensagem.
A lupa na condução
Como eu diria: Tá. E depois que tu bebeu, nos primeiros minutos, o que aconteceu com a raiva e com o peso?
O que eu marcaria: definiu o comportamento-problema do jeito que dá para filmar, antes de puxar a cadeia · colocou hora no precipitante, em vez de aceitar "o dia inteiro" · abriu o resumo ("surtei", "fiquei puto") em pensamento, emoção, sensação e ação · perguntou o que os outros fizeram depois, e o que veio nos dias seguintes · deu solução ou sermão antes de fechar a cadeia
Trechos: Beber não resolve nada disso, tu sabe, né. / Eu sei. / A Fernanda ficou sabendo?
Como eu diria: Dois obstáculos diferentes, e a gente resolve os dois. Antes disso: dessa vez tu não gritou, e mesmo assim bebeu. Me conta essa cadeia, porque ela é outra.
O que eu marcaria: fez as quatro perguntas na ordem: sabia? estava disposto? a ideia passou pela cabeça? o que ficou no caminho? · uma habilidade de cada vez, e separou obstáculos de tipos diferentes
Trechos: Eu não tava com raiva, eu tava triste. / Então nessa o problema foi saber / Simples assim.
O que foi plantado na condução
Bons e ruins, de propósito. Confiram com o que vocês marcaram em cada camada.
"Exatamente o quê, quanto, onde e a que horas." Beber é um comportamento-problema que os pacientes resumem em uma palavra. Sem quantidade e horário a cadeia não tem ponto de chegada.
"Puto é o quê? Me diz o que tu sentiu no corpo." O resumo vira sensação, emoção com nota, e ação. E abrir o corpo antes da emoção ajuda um paciente que não nomeia emoções.
"Antes era ela que tava errada, agora era tu." A cadeia muda de emoção no meio: raiva vira vergonha. Nomear a virada é o que permite ver que o corte de saída não é o mesmo nos dois trechos.
"Entre a vergonha e pegar a chave, passou alguma coisa?" Sai o "só hoje", que é o pensamento-permissão. Sem essa pergunta o elo mais importante para a análise de soluções ficaria fora.
"Beber não resolve nada disso, tu sabe, né. Só piora a coisa com a Fernanda." Ele sabe. A frase rende um "eu sei" e nada mais, e coloca o terapeuta do lado da Fernanda por um turno. O lugar desse conteúdo é a lista de consequências, dita por ele, não pelo terapeuta.
"A Fernanda ficou sabendo?" A pergunta que fecha o ciclo: o episódio de sexta vira o argumento para a próxima notícia ruim, que é o precipitante da próxima cadeia. O terapeuta devolve isso em uma frase e ele confirma.
A vulnerabilidade saiu bem, mas o terapeuta fecha com "pavio bem curto" e não pergunta se ele percebeu o pavio curto na hora. É a pergunta que liga a vulnerabilidade ao PLEASE na análise de soluções, e ficou faltando.
A cada elo, primeiro "o que caberia?", e só quando ele trava ("não sei, esse é o pior") o terapeuta oferece a ação oposta. As soluções são dele, com uma do terapeuta.
"O que tu faria de verdade numa sexta às seis e meia, chegando cansado?" Sobram três, e ele mesmo diz o que pode atrapalhar. O "fácil de esquecer" da escada reaparece três semanas depois, em outra forma: ele não esqueceu a habilidade, não reconheceu a hora.
No missing link o terapeuta vai direto às perguntas, uma habilidade de cada vez, e reconhece antes o que ele fez certo: não ligou, não gritou.
Ele usou a primeira habilidade e a cadeia mudou: sem a briga, a raiva não subiu, mas a tristeza veio e o "só hoje" apareceu do mesmo jeito. O terapeuta resolve os dois obstáculos e não pergunta como foi a cadeia dessa vez. Uma cadeia nova, com a mesma chegada por outro caminho, pede análise própria.
Pista nova para a escada, carregador ao lado do sofá para a mensagem. Nenhum dos dois é problema de motivação, e o terapeuta não trata como se fosse.
Erros comuns em análises em cadeia
"Me cortei", "bebi", "faltei". Se não dá para filmar, não dá para analisar. Definir o quê, onde, quando, com o quê, quanto, antes de puxar a cadeia.
"O dia inteiro", "foi um caos". O precipitante é um evento do ambiente com hora. Sem ele, a cadeia começa num estado e não num acontecimento.
"Aí eu surtei", "fiquei puto", "travei". Toda palavra-resumo esconde pensamento, emoção, sensação e ação em sequência. Abrir sempre.
O alívio depois do comportamento não é o último elo, é a consequência. E a consequência não é o fim da cadeia, é o que a fecha e a mantém.
Ou a lista genérica de tudo o que a pessoa tem de ruim na vida, ou nada. A vulnerabilidade daquele dia está no cartão diário: sono, comida, dor, o que aconteceu na véspera, a tarefa não feita.
A consequência que mais mantém o comportamento é quase sempre feita por outra pessoa. Se a cadeia termina no paciente, falta metade.
Interesse, lentidão, validação ou tranquilização justamente no comportamento-problema. O tom no alvo é de inventário; o calor vai para os elos anteriores e para o esforço.
"Por que tu não...", "isso não resolve...". Toda solução ou julgamento antes de fechar a cadeia corta a análise e vira cobrança. As soluções têm lugar próprio, depois.
A pergunta que produz "não sei". O missing link existe para trocá-la por quatro que o paciente consegue responder: sabia, estava disposto, a ideia passou pela cabeça, o que ficou no caminho.
Não saber, não estar disposto, não lembrar e algo no caminho pedem trabalhos diferentes: ensinar, compromisso, pista no ambiente, resolver o obstáculo. Tratar tudo como falta de motivação é o erro mais comum.
A cadeia, posição a posição
À esquerda a cadeia de vocês, à direita a minha. Onde as duas divergem é o que vale discutir. Não é gabarito de prova: cadeia não tem uma resposta só, mas tem elos que não podem faltar.
segunda: briga com a irmã por mensagem ("tu sumiu")
tarefa de casa da semana não feita
emoção: ansiedade, 4
sensação: aperto na garganta
ação: abre o arquivo e fica vinte minutos sem escrever
pensamento: "se eu for na terapia vou chorar e não vou fazer o relatório", e "não quero chegar sem a tarefa de novo"
ação: 14h30, deixa o celular no silencioso
evento: 15h05, mensagem da terapeuta, "tá tudo bem?"
pensamento: "eu devia responder, e não vou saber o que dizer"
emoção: vergonha, 5
ação: vira o celular para baixo
curto: entrega o relatório às 18h e a chefe elogia (reforço positivo, feito pela chefe)
longo: culpa à noite, não responde às mensagens da terapeuta por dois dias
longo: entra na sessão seguinte com mais vergonha ("quase não vim"), o que é a vulnerabilidade da próxima cadeia
A cadeia como eu desenhei
O missing link
elo 8: responder com uma linha · obstáculo · "escrevi quatro versões e apaguei todas"
Dois obstáculos diferentes. A mensagem falhou por um obstáculo prático que parece de habilidade: ela sabia o que fazer e não sabia o que escrever. A solução é escrever a frase na sessão e deixar salva no celular. A ação oposta falhou por disposição, e a frase "ela vai achar que eu não levo a sério" é o pensamento que sustenta a vergonha que a tira de todos os tratamentos. Esse é o trabalho da sessão, e provavelmente do próximo mês. Repare que ela avançou: mandou mensagem duas horas depois, o que na primeira cadeia levou dois dias.
Onde as habilidades entrariam
Só para vocês guardarem. As habilidades vêm nas aulas 9, 10 e 11.
elo 1: DEAR MAN com a chefe, pedir prazo até as 18h
elo 2: checar os fatos, regulação emocional
elo 5: ação oposta à vergonha, vir e dizer "não fiz"
elo 7 e elo 8: responder a mensagem com uma linha, "não vou conseguir hoje"
As duas que ela escolheu: a resposta de uma linha e chegar dizendo "não fiz", com o combinado de que "não fiz" basta. Ela mesma disse o que atrapalha: não saber o que escrever, e a vergonha.
A lupa na condução
Como eu diria: Tá. Então às duas e vinte tu já tinha pensado que não ia vir. O que tu fez depois desse pensamento?
O que eu marcaria: definiu o comportamento-problema do jeito que dá para filmar, antes de puxar a cadeia · colocou hora no precipitante, em vez de aceitar "o dia inteiro" · perguntou o que os outros fizeram depois, e o que veio nos dias seguintes · esquentou justamente no comportamento-problema: validou, tranquilizou, se demorou ali
Trechos: Tudo bem, acontece com todo mundo / É. / Vamos seguir.
Como eu diria: Para a mensagem, escreve agora, aqui, a linha que tu mandaria. Pode ser ruim. A gente conserta junto e ela fica salva no teu celular.
O que eu marcaria: fez as quatro perguntas na ordem: sabia? estava disposto? a ideia passou pela cabeça? o que ficou no caminho? · uma habilidade de cada vez, e separou obstáculos de tipos diferentes
Trechos: Escrevi umas quatro versões e apaguei todas. / a gente escreve a frase agora
O que foi plantado na condução
Bons e ruins, de propósito. Confiram com o que vocês marcaram em cada camada.
"Não é bronca, é o combinado: falta sem aviso a gente analisa." Comportamento que interfere na terapia vem antes de qualquer outro assunto, e dizer isso em voz alta tira o tom de castigo.
"Às três da tarde, em casa, tu não entrou na sessão e não avisou." Duas coisas, não uma: não entrar e não avisar. A análise de soluções depende dessa separação.
É a pergunta que revela o elo escondido: "se eu for vou chorar e não vou fazer o relatório". Sem ela a cadeia seria só "chefe pediu, não deu tempo".
"Tudo bem, acontece com todo mundo, essas semanas são difíceis mesmo." A frase alivia a vergonha da paciente na sessão, o que é justamente o que faltar fez na terça. A análise perde o tom de inventário e rende um "é". No lugar: seguir para o próximo elo sem comentário.
"Às três e cinco eu te mandei mensagem. Tu viu?" A terapeuta é parte do ambiente da paciente, e a mensagem não respondida é um elo com pensamento, emoção e ação próprios.
Sai o reforço negativo (a vergonha diminui, ela trabalha) e, na sequência, o positivo feito pela chefe (o elogio). A falta funcionou, e é por isso que se repete.
A vulnerabilidade escondida era a tarefa não feita, e ela só aparece porque a terapeuta pergunta depois de fechar a cadeia. É o dado que liga esta falta às duas anteriores.
"Horrível. Eu quase não vim." É a vergonha da falta virando vulnerabilidade da próxima cadeia, dita em voz alta. Cabia uma frase ligando as duas coisas, e a terapeuta seguiu para a vulnerabilidade da semana anterior.
A paciente propõe (DEAR MAN, checar os fatos, vir e dizer), e a terapeuta dá o nome (ação oposta) depois que a ideia já é dela.
"Consigo se a gente combinar que eu posso chegar e dizer só não fiz." A terapeuta aceita. A ação oposta só é viável se a paciente souber de antemão o que vai acontecer quando aparecer.
"Tu mandou mensagem, duas horas depois. É diferente da outra vez." Missing link começa pelo que aconteceu de novo, não pelo que faltou.
Para a ação oposta trava na disposição; para a mensagem, sabia e estava disposta e travou no obstáculo prático. Se tivesse perguntado pelas duas juntas, sairia "eu não consegui".
"Não vou conseguir hoje, aviso depois." A solução é boa, e é da terapeuta. Cabia pedir que ela escrevesse, ali na sessão, e corrigir se precisasse. A frase que ela vai usar precisa ser dela para sobreviver à quarta versão apagada.
Erros comuns em análises em cadeia
"Me cortei", "bebi", "faltei". Se não dá para filmar, não dá para analisar. Definir o quê, onde, quando, com o quê, quanto, antes de puxar a cadeia.
"O dia inteiro", "foi um caos". O precipitante é um evento do ambiente com hora. Sem ele, a cadeia começa num estado e não num acontecimento.
"Aí eu surtei", "fiquei puto", "travei". Toda palavra-resumo esconde pensamento, emoção, sensação e ação em sequência. Abrir sempre.
O alívio depois do comportamento não é o último elo, é a consequência. E a consequência não é o fim da cadeia, é o que a fecha e a mantém.
Ou a lista genérica de tudo o que a pessoa tem de ruim na vida, ou nada. A vulnerabilidade daquele dia está no cartão diário: sono, comida, dor, o que aconteceu na véspera, a tarefa não feita.
A consequência que mais mantém o comportamento é quase sempre feita por outra pessoa. Se a cadeia termina no paciente, falta metade.
Interesse, lentidão, validação ou tranquilização justamente no comportamento-problema. O tom no alvo é de inventário; o calor vai para os elos anteriores e para o esforço.
"Por que tu não...", "isso não resolve...". Toda solução ou julgamento antes de fechar a cadeia corta a análise e vira cobrança. As soluções têm lugar próprio, depois.
A pergunta que produz "não sei". O missing link existe para trocá-la por quatro que o paciente consegue responder: sabia, estava disposto, a ideia passou pela cabeça, o que ficou no caminho.
Não saber, não estar disposto, não lembrar e algo no caminho pedem trabalhos diferentes: ensinar, compromisso, pista no ambiente, resolver o obstáculo. Tratar tudo como falta de motivação é o erro mais comum.
Levem a aula com vocês
Um documento só, com as três rodadas, os desenhos e a leitura do professor lado a lado.
Lógica Psicológica · Prof. Júlio Gonçalves, MSc. · CRP 12/17614
Casos construídos para fins didáticos, sem dados de paciente real.