Qual é o seu grupo?
Abra o endereço do seu grupo. Guarde este link: é nele que o caderno de vocês fica salvo.
Como funciona o trabalho de hoje
Vocês ficam com um caso o dia inteiro. Ele chega em camadas, e a cada camada nova vocês revisam o que já tinham escrito. Nada do que foi escrito antes se apaga.
Nenhuma sugestão de conduta antes de a formulação estar pronta. Vale até a rodada 5. Antes disso, a pergunta é sempre o que mais isso poderia ser.
Duas coisas só precisam estar definidas em cada rodada: quem escreve, que é quem está com a tela compartilhada, e quem apresenta no retorno.
O caderno fica guardado no navegador de quem digita. Salvem o PDF ao fim de cada rodada, não só no fim do dia.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Designer, trabalha como PJ para duas agências. Mora sozinha com um gato, em quitinete. Trocou de emprego cinco vezes em seis anos antes de sair da carteira assinada.
O psiquiatra atual escreveu: avaliar bipolar II, humor muito instável. Um CAPS onde ela foi atendida em 2022 registrou traços borderline. Uma psicóloga que a atendeu por quatro meses sugeriu avaliar autismo em mulher adulta.
"Meu humor não para quieto. E eu não sei quem eu sou."
Episódios de automutilação entre os 19 e os 21 anos, sem recorrência desde então. Relações intensas e conturbadas. Sensação de vazio que descreve como constante.
Esta rodada abre junto com a camada 1.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Primeira sessão. Ela chegou com os três relatórios impressos e uma pasta com as receitas antigas.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 2.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Segunda sessão. A mãe participou da primeira metade.
A mãe saiu da sala a pedido de Letícia.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 3.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Terceira sessão.
Cerca de vinte minutos depois, falando de outra coisa.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 4.
Onde a formulação vira cadeia. Preencham cada domínio em uma ou duas frases, e depois liguem tudo no encadeamento.
Ver um exemplo de encadeamento
De um caso qualquer, que não é o de vocês. Serve só para mostrar o formato.
Chega em casa exausta e sem nada combinado para a noite, o que leva a ligar a TV e rolar o celular no sofá, o que leva a adormecer tarde e fora da cama, o que leva a acordar sem descanso e atrasada, o que leva a um dia de baixo rendimento e muita autocrítica, o que devolve ao primeiro elo: mais exaustão e menos plano para a noite seguinte.
Alça de fora: quando ela está assim, o companheiro assume as tarefas da casa. Isso reduz a exigência imediata e faz o padrão custar menos do que custaria, o que ajuda a mantê-lo.
Três coisas que fazem a diferença. Comece pelo gatilho concreto, não por um estado geral: chega em casa exausta, e não tem ansiedade. Termine voltando ao primeiro elo, porque é o retorno que transforma uma lista em ciclo. E separe as alças que vêm de fora, feitas por outras pessoas, das que a própria pessoa fecha sozinha.
Depois de escrever a cadeia, releia procurando o elo em que uma mudança pequena mudaria o resto. Esse é o que vai para o campo seguinte.
Esta rodada abre junto com a camada 4.
Terminaram uma rodada?
Baixe o caderno como está agora. O arquivo traz tudo o que vocês escreveram até aqui, com o nome do grupo e a data.
Síntese do caso
Aqui fica a leitura do professor sobre este caso, lado a lado com o que vocês escreveram: o percurso esperado, onde o material empurrava para o lado errado, o que decide, a ordem de prioridade e as perguntas da entrevista.
Ela abre quando o caderno estiver completo e o professor der o código.
Lado a lado
À esquerda, o que o grupo escreveu. À direita, como eu formulei o mesmo caso. Onde as duas colunas divergem é o que vale discutir.
Transtorno de personalidade borderline. A favor: instabilidade de identidade, vazio crônico, relações intensas com términos e reconciliações, automutilação dos dezenove aos vinte e um, ambiente cuidador invalidante. Contra: automutilação sem recorrência há seis anos. Falta saber: impulsividade em outras áreas.
Bipolar II. A favor: períodos de quatro a cinco dias com sono reduzido e produção alta, tia paterna com bipolar I. Contra: os períodos coincidem com início de relacionamento, e o episódio dos vinte e dois foi induzido por estimulante sem prescrição. Falta saber: registro prospectivo.
Transtorno por uso de substância. A favor: maconha diária há um ano. Contra: o padrão de oscilação é anterior, confirmado por dois informantes, e persiste nas semanas sem uso.
Ausência de estrutura de horário, sono e alimentação, que amplifica a labilidade e torna qualquer oscilação mais intensa.
Uso noturno de maconha que mantém o sono desorganizado, mesmo não sendo a causa das oscilações.
E um mantenedor do processo diagnóstico, não do sofrimento: a ausência de qualquer registro prospectivo. Cada serviço lê o mesmo relato retrospectivo, impreciso pela alexitimia, e chega a um rótulo diferente. Ela sai com três nomes e nenhuma resposta.
Duas alças amplificam: sono irregular, que aumenta a intensidade de qualquer oscilação, e ausência de registro prospectivo, que impede qualquer leitura de duração e mantém o caso indefinido de serviço em serviço.
A alavanca clínica é dupla e serve às três hipóteses ao mesmo tempo. Primeiro, recuperação programada depois de carga social, que testa na prática a leitura sensorial: se o padrão de exaustão responde a isso, a hipótese autista sobe. Segundo, registro prospectivo diário, que é intervenção e método de investigação no mesmo gesto.
O que não fazer primeiro: escolher um dos três nomes para dar a ela uma resposta. Foi isso que três serviços fizeram.
O que faria subir. TEA: perfil sensorial positivo em instrumento e recuperação consistentemente ligada à carga social e sensorial. TPB: oscilação em horas, sempre ancorada em evento interpessoal. Bipolar II: episódios de dias com autonomia clara do contexto, aparecendo no registro prospectivo.
O que faria cair: o inverso de cada um.
Sustenta: impossibilidade de datar as oscilações, que é o que impede a decisão diagnóstica.
Indicador: dias preenchidos por semana, e o padrão de duração ao fim do período.
2. Regulação emocional e tolerância ao mal-estar.
Sustenta: desregulação presente nas três hipóteses, sem contraindicação em nenhuma.
Indicador: escala breve de desregulação a cada quatro sessões.
3. Redução de carga sensorial com recuperação programada depois de eventos.
Sustenta: exaustão consistente após social, mesmo quando o evento foi bom.
Indicador: dias de recuperação necessários por evento, no registro.
4. Estrutura mínima de sono e de horário de trabalho.
Sustenta: labilidade amplificada por sono irregular e demanda fora de hora.
Indicador: horário de dormir registrado.
Nenhum antidepressivo isolado antes de descartar espectro bipolar.
O percurso esperado
Três rótulos concorrentes chegam prontos. A pergunta natural, "qual dos três", é a pergunta errada.
A impossibilidade de datar bloqueia o critério que normalmente resolve. E a maconha diária entra como explicação alternativa fácil.
A maconha cai. Mas entra o episódio dos 22 anos, que parece hipomania inequívoca, e vai reorganizar as hipóteses de quase todos os grupos.
O episódio dos 22 se desfaz: estimulante sem prescrição, quatro dias, nunca repetido. E a ambiguidade central se aprofunda.
Onde o caso empurrava para o lado errado
Parece explicar as oscilações. Não explica: o padrão é anterior, confirmado por dois informantes, e persiste nas semanas sem uso.
É o ruído mais forte dos três casos, e é de propósito: parece fechar bipolar. Na camada 4 vira episódio induzido por substância. Espere reviravolta grande no retorno das 14h10.
Sem consequência clínica.
Evidências que serviam a mais de uma hipótese
- Instabilidade de identidadecamuflagem autista · TPB
- Exaustão após socialsobrecarga sensorial · crash interpessoal
- Dias de energiahipomania · reatividade a relação nova
- Vazio crônicoTPB · alexitimia e mascaramento
- Relação atual instávelTPB · reatividade · nenhuma das duas
Nada, hoje. O critério que discriminaria, duração e autonomia da oscilação, depende de um dado que só existe prospectivamente.
Formulação provisória com as três hipóteses ordenadas, critérios explícitos de revisão, e plano que sirva aos três cenários: regulação emocional, redução de carga sensorial com recuperação programada e registro prospectivo de humor por 6 a 8 semanas. NÃO iniciar antidepressivo isolado antes de descartar espectro bipolar.
Fechar diagnóstico aqui é inventar. Mas não entregar nada por falta de certeza também é erro, a formulação provisória bem construída é o produto esperado, não um consolo.
As perguntas da entrevista
Pergunta correta, resposta impossível. Vale discutir com a turma: quando o paciente não consegue responder, a pergunta muda de forma ou muda de método. Aqui ela vira registro prospectivo.
A pergunta que desfaz o episódio dos 22 anos. Ela não foi feita em três serviços anteriores, e é a diferença entre bipolar II e episódio induzido por substância.
Não se perguntou sobre a duração dos períodos "para baixo", sobre ideação atual, nem sobre o padrão de rupturas nas relações. E nenhuma pergunta sobre funcionamento sensorial partiu do terapeuta.
Compare com o que vocês escreveram
Levem o dia inteiro com vocês
Um documento só, com tudo o que o grupo construiu nas cinco rodadas e, na sequência, a leitura do professor lado a lado.
Lógica Psicológica · Prof. Júlio Gonçalves, MSc. · CRP 12/17614
Casos construídos para fins didáticos.