Qual é o seu grupo?
Abra o endereço do seu grupo. Guarde este link: é nele que o caderno de vocês fica salvo.
Como funciona o trabalho de hoje
Vocês ficam com um caso o dia inteiro. Ele chega em camadas, e a cada camada nova vocês revisam o que já tinham escrito. Nada do que foi escrito antes se apaga.
Nenhuma sugestão de conduta antes de a formulação estar pronta. Vale até a rodada 5. Antes disso, a pergunta é sempre o que mais isso poderia ser.
Duas coisas só precisam estar definidas em cada rodada: quem escreve, que é quem está com a tela compartilhada, e quem apresenta no retorno.
O caderno fica guardado no navegador de quem digita. Salvem o PDF ao fim de cada rodada, não só no fim do dia.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Assistente administrativa numa biblioteca universitária, concursada. Mora com a mãe, aposentada. Diagnóstico de TEA nível 1 de suporte aos 21 anos, feito num serviço-escola.
Paciente autista com rituais rígidos. Encaminho para trabalhar flexibilidade e tolerância a mudanças.
"Ela tem muitos rituais. Precisa aprender a ser mais flexível, senão não vai conseguir viver."
Passa horas organizando. Checa coisas antes de sair. Demora muito para conseguir sair de casa. Fica angustiada e chora quando é interrompida no meio de alguma coisa.
Esta rodada abre junto com a camada 1.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Primeira sessão. A mãe trouxe de carro e ficou na sala de espera.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 2.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Segunda sessão. Parte com a mãe presente, a pedido de Helena.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 3.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Terceira sessão. A mãe pediu para entrar no fim.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 4.
Onde a formulação vira cadeia. Preencham cada domínio em uma ou duas frases, e depois liguem tudo no encadeamento.
Ver um exemplo de encadeamento
De um caso qualquer, que não é o de vocês. Serve só para mostrar o formato.
Chega em casa exausta e sem nada combinado para a noite, o que leva a ligar a TV e rolar o celular no sofá, o que leva a adormecer tarde e fora da cama, o que leva a acordar sem descanso e atrasada, o que leva a um dia de baixo rendimento e muita autocrítica, o que devolve ao primeiro elo: mais exaustão e menos plano para a noite seguinte.
Alça de fora: quando ela está assim, o companheiro assume as tarefas da casa. Isso reduz a exigência imediata e faz o padrão custar menos do que custaria, o que ajuda a mantê-lo.
Três coisas que fazem a diferença. Comece pelo gatilho concreto, não por um estado geral: chega em casa exausta, e não tem ansiedade. Termine voltando ao primeiro elo, porque é o retorno que transforma uma lista em ciclo. E separe as alças que vêm de fora, feitas por outras pessoas, das que a própria pessoa fecha sozinha.
Depois de escrever a cadeia, releia procurando o elo em que uma mudança pequena mudaria o resto. Esse é o que vai para o campo seguinte.
Esta rodada abre junto com a camada 4.
Terminaram uma rodada?
Baixe o caderno como está agora. O arquivo traz tudo o que vocês escreveram até aqui, com o nome do grupo e a data.
Síntese do caso
Aqui fica a leitura do professor sobre este caso, lado a lado com o que vocês escreveram: o percurso esperado, onde o material empurrava para o lado errado, o que decide, a ordem de prioridade e as perguntas da entrevista.
Ela abre quando o caderno estiver completo e o professor der o código.
Lado a lado
À esquerda, o que o grupo escreveu. À direita, como eu formulei o mesmo caso. Onde as duas colunas divergem é o que vale discutir.
TOC. A favor: checagem iniciada aos dezenove com precipitante identificável, cognição de responsabilidade, resistência com ansiedade crescente, sofrimento nove de dez, evitação secundária. Contra: nada. Falta saber: outras dimensões obsessivas.
Transtorno de ansiedade generalizada. A favor: preocupação com a mãe, com dinheiro e com o emprego, sono ruim. Contra: a preocupação aparece quando ela resiste e cessa quando ela checa, e não há preocupação persistente fora desses momentos.
Episódio depressivo prévio. A favor: período de três meses aos dezessete. Contra: reação à saída da professora, sem alteração de sono ou apetite, sem perda de interesse, remissão espontânea, humor atual preservado.
Evitar cozinhar e evitar ser a última a sair impede que a regra alguma vez seja desconfirmada.
A mãe checa junto e confirma em voz alta que está fechado, várias vezes por dia. Isso substitui a exposição por alívio garantido e mantém o ciclo de fora, sem que ninguém perceba como manutenção.
O recomeço obrigatório das sequências consome tempo, produz atraso e advertência, o que aumenta a pressão e devolve mais ansiedade ao ciclo.
Alça externa: a mãe confirma em voz alta que está fechado, o que entrega alívio sem exposição, e assim a regra nunca é desconfirmada.
Mas o ponto de entrada mais rápido não é ela, é a mãe: enquanto houver confirmação verbal várias vezes por dia, nenhuma exposição acontece de fato. Começar por uma hierarquia curta somada à retirada gradual da confirmação materna, negociada com as duas na mesma sessão.
E não tocar na catalogação nem na organização dos livros: são recurso, não alvo.
Sustenta: alívio imediato que reforça a checagem e impede a desconfirmação.
Indicador: número de checagens por saída no registro diário, e escala de sintomas obsessivo-compulsivos a cada quatro sessões.
2. EPR para a sequência do banho, com prevenção do recomeço.
Sustenta: mesma alça, com custo direto de tempo e atraso.
Indicador: minutos de banho.
3. Intervenção sobre a acomodação familiar, em sessão conjunta com a mãe.
Sustenta: a checagem conjunta é o mantenedor externo do ciclo.
Indicador: número de confirmações verbais dadas pela mãe por dia.
4. Reexposição às situações evitadas: cozinhar e sair por último.
Sustenta: evitação secundária que preserva a regra.
Indicador: refeições preparadas por semana.
Nenhuma intervenção sobre a organização dos livros e sobre a catalogação.
O percurso esperado
A âncora é "autista com rituais". O encaminhamento pede flexibilidade, e isso está errado.
Dois conjuntos de comportamento repetitivo com linguagem afetiva oposta, mais preocupação difusa e sono ruim, que puxam para ansiedade generalizada.
As linhas do tempo se separam. E a preocupação se revela secundária: aparece quando ela resiste e cessa quando ela checa.
Fecha: resistência com ansiedade crescente, sofrimento 9 contra 1, evitação secundária, acomodação familiar.
Onde o caso empurrava para o lado errado
Parece TAG. Não é: é ansiedade obsessiva, ligada à resistência e aliviada pelo ritual, sem preocupação persistente fora desses momentos.
Parece episódio depressivo prévio. Foi reação de luto com melhora espontânea, sem alteração vegetativa nem perda de interesse.
Sem consequência clínica.
Evidências que serviam a mais de uma hipótese
- Repetiçãointeresse restrito · compulsão
- Rigidezprevisibilidade · ritual
- Choro ao ser interrompidaquebra de rotina · recomeço obrigatório
- Sono ruimansiedade obsessiva · TAG · rotina
É egossintônico ou egodistônico? Acalma, ou previne uma catástrofe? E a preocupação existe fora dos momentos de resistência?
TOC primeiro, com EPR adaptada ao perfil autista. E intervir na acomodação familiar: enquanto a mãe checar junto, a exposição não acontece. Monitorar com medida repetida de sintomas obsessivo-compulsivos.
Seguir o encaminhamento e trabalhar flexibilidade genérica ataca os interesses egossintônicos, que são recurso. E ignorar a mãe deixa o principal mantenedor intacto.
As perguntas da entrevista
É a melhor pergunta das três camadas. Sem ela, organizar e checar continuariam sendo "rituais" no mesmo balaio. A resposta afetiva é o que separa os dois quadros.
Pergunta que desmonta o falso TAG. Repare que ela precisa pensar antes de responder, "agora que você perguntou". É um bom modelo de pergunta que produz dado novo.
Não se perguntou sobre outras obsessões (contaminação, simetria, conteúdo agressivo), nem sobre insight, nem há rastreio de tiques. E a mãe só é ouvida no fim.
Compare com o que vocês escreveram
Levem o dia inteiro com vocês
Um documento só, com tudo o que o grupo construiu nas cinco rodadas e, na sequência, a leitura do professor lado a lado.
Lógica Psicológica · Prof. Júlio Gonçalves, MSc. · CRP 12/17614
Casos construídos para fins didáticos.